quinta-feira, 26 de junho de 2008

uma rajada de balas


Os nossos órgãos sensoriais, claro, são dados a percepções diferenciadas. E uma metonímia não é uma figura de palavra que substitui um termo por outro porque estes têm uma relação de dependênccia? É. Metonímia é isso, sim. Mas quando se é pequeno, dificilmente sabemos da existencia dessas estratégias literárias aplicadas às nossas expressões. E foi o que aconteceu comigo quando, ainda pirralho, assiti ao filme Bonnie e Clyde. Havia, de minha parte, uma dependência total em trocar o nome do filme, pelo da artista que interpretava a Bonnie: a Faye Dunaway. Eu achava tão lindo, tão sonoro, o nome dessa atriz, que trocava o título do filme pelo da Faye: "Aí, vamos assistir a Faye Dunaway!". Foi minha primeira associação.

atributos


Se a substância carrega em si tudo expresso nos atributos, como podemos detectar diferença nestas duas quase mesmas coisas? E por que esse "quase"? Seria por que uma [substancia] se desdobra infinitamente no outro [atributo]? Ou não é assim? Eu acho que o busilis está nas afeccões desta substancia - os modos. É assim que a substância se revela em nós. Mas só conhecemos dois desses "quase mesmas coisas", que são a substancia e o atributo: os modos extensão e pensamento. A partir daqui, aquela máquina imaginativa que ilude o homem com finalidades, já não mais é necessária. Aqui, atributo, que também é substância, constituirá o real, a inteligibilidade do real.

sábado, 21 de junho de 2008

o diabo bebe isso

Losna (que demonieira é essa?!) e álcool em grau de carvoaria estão na composição do absinto: uma bebida que mais parece câmara de incineração.
O sofrimento por que passa o infeliz ao ingerir essa tentativa de suicído não compensa em nada qualquer suposta busca de uma boa nova colateral.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

tormentas psíquicas

New Order foi o nome da Joy Division quando da morte de Ian Curtis. E Control é a cinebiografia desse cara. Chatinha feito a porra - o filme, e o Ian (este sempre), e a banda dele mais do que tudo. Aborrecimento garantido. Por isso mesmo sempre evitava aquilo. Como era sacal aquilo! Qualquer pôr do sol é fichinha ante o tanto que me deprimia aquelas canções. Agora se essa foi a maneira que os carinhas do filme encontraram para reafirmar o sofrimento do sujeito, tudo bem, acertaram em cheio: o filme espreme, nos 23 anos de tortura existencial da personagem, mutia melancolia.

cobiça


Falar das ações humanas parece vir de desde sempre. Entendê-las, ou pelo menos tentar, também. São elas que nos permitem funcionar moralmente. E parece sempre se deslocarem na direção de nosso interesse - como numa via de mão única. É como se estas ações, voltadas sempre para o eu, fossem a principal substância adesiva de toda e qualquer ética. E isto, creio, é quase um golpe em nossa dignidade. Ou não? Ou tudo é assim mesmo: tudo converge para grupos de interesses, já que não existe interpretação neutra em relação a valores e interesses?

quinta-feira, 12 de junho de 2008

pra depois das cinco

Teísmo, todos sabemos, é aquela doutrina da existencia de um único fodão. Mas essa palavrinha, creia, tem esse outro significado: intoxicação por ingestão excessiva de chá. Eu como mais das vezes sou mais anticristão e anticatólico que qualquer outra coisa, e considero irrelevante toda forma de transcendência, além de não suportar nenhum tipo de chá por achá-lo o mais amargo de todos os remédios - detesto todos os cheiros, cores e horários dessa bebidinha merda -, prefiro uma boa e cavalar dose de whisky on the rocks, esta sim, uma verdadeira máquina de desalterar.

sábado, 7 de junho de 2008

na foto


A um inglês [Talbot] credita-se a honra de ser o descobridor da fotograria; outros preferem dizer que o pai do primeiro clic é o francês Daguerre. Eu já acho que na Grécia dita Clássica essa coisa de produção de imagens já estava em Aristóteles. De tudo isso, o que eu não entendo é a tamanha tara, ultimamente, de as pessoas tanto guardarem imagens. Tem sujeito aí fotografando até os próprios rastos. Isso é que obsessão por um negativo! Opa, "negativo" paraece não mais existir hoje em dia! É tudo digital.
Em todo caso, e deixando a tecnologia de lado, a França parece não ser um lugar apropriado para se patentear algo: logo aparece um outo cidadão, de uma outra nacionalidade, reclamando à cria. Na aviação foi assim.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

repeat

Este post não é pra falar de ano nenhum, nem de nenhuma década específica, mas para dizer que...
Dave Stewart e Annie Lennox, nos desprezíveis anos 80 (tem gente que vive querendo acender neurônios esquecidos dessa época, eu não), eram o Eurythimics. E eu nunca ouvi isso.
Já a musiquinha do Neil Young (Winterlong) que Frank Black e Kim Deal, do Pixies, cantam não dá pra parar de ouvir.

cidade dejetório

Natal é um grande esgoto musical. É preciso coragem auditiva para enfrentar o monstro sonoro dos papa-jerimuns. É impossível escapar da tirania do gosto dessa gente...