segunda-feira, 26 de maio de 2008

na prática

No já distante tempinho da escola primária, quando não tínhamos idéia do que era um parágrafo, ou de que um texto era um simples encadeamento deles [os parágrafos], nossa folha em branco - não me recordo do uso de "redação" à época - ficava esperando que alguma palavra aumentasse a nossa ação escrita. Ficávamos ali, tamborilando o lápis no papel, a espera de um insight (insight?). Aquela linhazinha reta e permanentemente branca sempre esperando um algo que se pudesse acrescentar ao que tanto queríamos dizer, às vezes nos exasperava (essa era uma das tais, assim como o tal do "insight" que ainda não faziam parte de nosso repertório e, portanto, impossível para nós o seu uso).
Sem prolemas. Esse tempo todo passou e ainda hoje vivemos e sabemos das dificuldades da arte da escrita a nos atrapalhar com seu começo, meio e fim aristotélico. Poucos são os que conseguem tê-la em seu domínio. Eu, infelizmente, sofro pela falta dessa técnica.
Bom tempo aquele em que sintaxe, semântica e harmonia eram ferramentas já nossas, mas só pra depois: depois que soubéssemos que narração, descrição, dissertação e diálogo eram os processos básicos dessa coisa de escrever. Da mesma forma como seria bom para nós que já naquela época, soubéssemos que a prática constante da escrita era a linha certa para o seu domínio.

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